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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CUIDADO COM A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO!! (Parte I)


Nessas andanças por esse nosso Brasil Varonil...com aulas, projetos educacionais e etc...me deparo, cada vez com mais frequência, com a adoção, por parte de secretarias municipais de educação, de pacotes educacionais oferecidos pelos denominados SISTEMAS DE ENSINO (popularmente conhecidos, no próprio meio, como "grifes educacionais"). A mola-mestra desse modelo de trabalho é a compra e aplicação de material didático apostilado, acompanhada de alguma assistência em capacitação e/ou treinamento de docentes, certo acervo de softweres educacionais e apoio via internet, fazendo da instituição contratante uma parceira ou franqueda dos, autodenominados, sistemas de ensino (COC, Objetivo, Anglo, Positivo, Uno, Etapa, Pitágoras e etc.).

Minha opinião sobre essa situação será dada a seguir, pautada, muitas vezes ipsis litteris, no trabalho de três pesquisadoras da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS): Elsia Esnarriaga de Arruda, Carolina Nunes Kinjo e Mariana Monfort Barboza, trabalho este denominado: O PROCESSO DE MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, EM UMA CAPITAL BRASILEIRA DE PORTE MÉDIO - que pode ser baixado nesse blog na coluna da direita, clicando na figura idêntica à que ilustra essa postagem.

Ora, não sejamos ingênuos em contestar o fato de que, há muito tempo, a educação é uma mercadoria, visto que a Organização Mundial do Comércio a define como serviço comercial, sujeito às regras de comércio. No sistema capitalista vigente, a tendência é que as necessidades humanas sejam satisfeitas no mercado e a educação é uma dessas necessidades. O cuidado a se tomar aqui é que essa voracidade mercadológica fique circunscrita ao seu nicho específico, ou seja, às cúpulas financeiras dos sistemas educacionais acima citados, não contaminando o tecido educacional formado por docentes, coordenadores, diretores, alunos e familia.

Mas antes de qualquer opinião, vamos dar uma olhada em algumas informações interessantes:

Do lado dos "sistemas de ensino" justifica-se essa corrida pelo aluno da rede pública pelo crescente desse mercado, sendo que de 1991 a 2006 o número de matrículas subiu em mais de 12 milhões contra pouco mais de 1 milhão do setor privado no mesmo período. De olho nesses números, só no estado de São Paulo, até 2007, o setor privado já tinha conseguido cravar suas garras em 25% dos municípios.
Um outro e, por que não dizer, mais "subterrâneo" motivo a impulsionar essa busca é a, cada vez mais frequente e incisiva, posição do MEC em repensar o sistema educacional vigente no Brasil, avaliando faculdades, propondo um ENEM mais eficiente e representativo, ressaltando a real importância dos PCNs (o que destaca a interdisciplinaridade e o pensamento crítico), postura essa que leva a imaginar que, em tempo relativamente curto (principalmente quando se fala em corporações de ensino e em milhões investidos), o vestibular mude ou acabe (nos atuais moldes) e todo formato do ensino no Brasil venha a ser alterado, o que provavelmente invibializaria o atual "apostilismo", marca registrada da pasteurização que esses "sistemas de ensino" impõem à real educação, levando essas empresas a uma urgência de exploração do mercado.
Com relação à real qualidade do modelo educacional apresentado pelos "sistemas", para resumir a discussão a um único mas importante parâmetro, usaremos a apostila como referência de análise, visto que é o carro chefe desse modelo de gestão educacional.
Denomina-se de apostila o material comercializado pelos "sistemas de ensino" com inúmeros formatos, em oposição ao livro que tem um padrão fixo. A apostila surge na década de 1950, para ser tradicionalmente utilizada em cursos preparatórios para concursos, exames de admissão ao ginásio, supletivos e passa a ser um método de ensino para o vestibular (TREDICI, 2007, p.1). Até aí tudo tranquilo. Esse tipo de material estava adequado ao seu objetivo. Porém foi no final da década de 1990 que se observou a adesão maciça das escolas privadas ao sistema de apostilas, preocupadas em atender pais e alunos ansiosos com a concorrência do vestibular (e as escolas públicas acabaram seguindo a mesma linha) (LIMA, 2006, p. 1).
As reportagens na mídia, que defendem o livro didático, levantam dúvidas sobre a qualidade do ensino por meio de apostilas, por possuírem duvidoso controle de qualidade (VERBA..., 2006; NIGRO, 2007). Chegam até mesmo a afirmar que a escola cujo ensino é totalmente apostilado comete uma fraude pedagógica, servindo como fonte de lucro para os grupos (LIMA, 2006).
A crítica não deve ser dirigida ao uso eventual de apostilas artesanalmente elaboradas pelo professor ou por sua escola, mas sim, à pressão da ideologia do mercado que faz da apostila um método único de saber e de poder; de ensinar tudo a todos como se estivessemos no século XVII, mas envoltos numa aura de ensino “moderno” ou “pós-moderno”[...]No fundo, trata-se de uma visão da escola como se ela fosse uma empresa, que deve ser eficiente e obter resultados (LIMA, 2006, p. 2).
Segundo Nigro (2007), as apostilas não possuem avaliação e muito menos a aprovação do MEC, restrigem a liberdade do professor que tem prazo determinado para o cumprimento do contéudo, passando a ser um mero aplicador de apostilas, custam em geral mais caro que os livros, são consumiveis, necessitando ser compradas todos os anos e possuem erros grosseiros.
Segundo Tófoli (2006, p. 1) apesar de não ser ilegal, as parcerias são contestadas por especialistas, já que o dinheiro público é repassado ao setor privado e nem sempre os convênios firmados garantem uma melhora na qualidade de ensino.
Portanto, uma objeção fundamental contra a adoção de ensino apostilado em toda uma rede escolar é que uma única filosofia e um único padrão de material didático reduzem o debate pedagógico drasticamente: o trabalho de pensar a educação restringe-se à empresa fornecedora de material; os professores tornam-se simples reprodutores de coisas elaboradas previamente por profissionais fora da realidade concreta de suas escolas. Qualidade de ensino não é um “produto” que possa ser vendido separadamente de bons professores e boas condições de trabalho para o docente (SIQUEIRA, 2007, p. 9).
A discussão acadêmica acerca da utilização de apostilas, ainda que incipiente, informa que a apostila fragmenta o conhecimento, por sua rígida estruturação, impõem modelo de conduta homogêneo aos professores, que deixam de pensar por si próprios, tratam o ensino como “grife” (TREDICI, 2007; AQUINO, 2007).
Um dado estatístico importante, que corrobora com a incerteza sobre a qualidade do mercadejamento do ensino (principalmente o público), é que, dentre as instituições pesquisadas no trabalho citado no início deste artigo, 25% já havia mudado o "sistema" fornecedor.
Para a parte II dessa discussão ficam os motivos para que as secretarias municipais dee educação adotem os "sistemas de ensino" como co-gestores educacionais e nossas conclusões e opiniões finais.
Aquele abraço.
Prof. Kiko
Bibliografia: Todos os autores citados aqui fazem parte da bobliografia do trabalho O PROCESSO DE MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, EM UMA CAPITAL BRASILEIRA DE PORTE MÉDIO - Elsia Esnarriaga de Arruda, Carolina Nunes Kinjo e Mariana Monfort Barboza (todas UFMS) - que pode ser baixado, na íntegra, nesse blog clicando na fugura "APOSTILAS" da coluna à direita.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

EEEE...NEEMMMM....e agora MEC?

Depois de alguns dias do vazamento das provas do ENEM desse ano, muitos dos leitores desse blog nos cobravam, através de e-mails, a falta de postagens sobre o tema.
É que uma confusão dessas pede alguns dias para que os pontos mais importantes sejam esclarecidos, tais como: quem são os culpados...como se deu o vazamento...que providências serão tomadas...etc.
Agora já nos sentimos mais à vontade para comentar o assunto.
É desapontador que, no seu teste de batismo como grande elo comum aos diferentes sistemas de seleção em Universidades Federais e particulares, em todo o Brasil, o ENEM tenha que passar por uma provação bem maior que a que impões aos concursandos.
O mais importante, na minha opinião, é que, ao que parece, as diferentes instituições de ensino superior não perderam a confiança no MEC e estão, cada qual à sua maneira, se solidarizando com o ministério e procurando soluções para que o exame possa ser aplicado sem mais turbulências, em datas que minimamente venham a prejudicar os alunos e os processos seletivos específicos de cada instituição.
Já há um entendimento entre 55 representantes de universidades federais, de 31 instituições federais de ensino e de todas as secretarias estaduais de educação no sentido de, caso seja necessário, adiar o início das aulas de 2010 para março, medida essa que viabilizaria a utilização dos resultados do exame do ENEM, já em nova data. Há também o estudo de adiamento de algumas datas de vestibulares para que não coincidam com a nova data do ENEM, que deverá ser no último final de semana de novembro (28 e 29) ou no primeiro de dezembro(5 e 6).
A nova prova já está montada e uma prova reserva também. O que deverá tomar mais tempo é a nova logística de impressão, armazenamento e distribuição, bem como a análise dos pontos falhos de segurança.
Resta aos estudantes esperar para essa quarta-feira o anúncio da nova data e se preparar (quem ainda não o fêz) ou melhorar a preparação (quem já estava preparado) e, por que não dizer, se conformar com o fato de que o vazamento foi descoberto antes da aplicação do exame...já pensou se isso viesse à tona depois...como a confusão seria mais séria?
Um abraço.
Prof. Kiko

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

TOMARA QUE ASSIM SEJA, GRANDE PLÍNIO...


Um trecho de Plínio Marcos (que ontem, 29/09/2009, faria 74 anos), qua faz parte das muitas de suas idéias que foram cerceadas pelo regime militar: " ...porque, na verdade, a tendência do homem é a dignidade. Um dia, quando tudo parece perdido, a dignidade se manifesta e recupera os seus espaços."

Segundo suas palavras, grande Plínio...ainda há esperança para nosso congresso nacional...

Prof. Kiko

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

AINDA AGUARDAMOS A RESPOSTA PARA A PERGUNTA: QUAL A ÚNICA PALAVRA DA LÍGUA PORTUGUESA, QUE, NO PLURAL, TERMINA COM A LETRA "R" ?

Enviar respostas para kikofisica@gmail.com ou pelos comentários da postagem.

ESTÍMULO EM EXCESSO GERA CRIANÇA COM MALES DE ADULTO.


'Superpais' saturam filhos com atividades e causam distúrbios, como depressão e fadiga
Simone Iwasso


Cercadas de estímulos e equipadas com aparatos tecnológicos que dão acesso a todo tipo de informação, parte das crianças de hoje vive um novo tipo de infância. Nesse cenário, mais comum entre as classes média e alta, a obrigação é ter o melhor e ser o melhor - ótimos alunos, bons esportistas e com talentos artísticos em desenvolvimento.

O resultado: expectativas e cobranças altas que geram pressão, levando a criança a se parecer com ser adulto - ainda que seja um adulto infantilizado. Não à toa, esse grupo tende a apresentar, ainda na infância, distúrbios e sintomas típicos de homens e mulheres da vida moderna. Crescem os casos de depressão, autoagressão, distúrbios alimentares e fadiga crônica precoces.

Pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta que 5 milhões de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos no País (12,6%) têm sintomas de transtornos psiquiátricos. Para atender a essa demanda, há ambulatórios que oferecem assistência no tratamento de depressão para crianças a partir dos 3 anos. Também são comuns problemas relacionados ao stress, como dores de cabeça e estômago.

Esse quadro tem gerado um número crescente de crianças que tomam medicamentos para alterar sua conduta e seu estado de ânimo - em muitos casos, segundo pesquisas, sem necessidade. Cerca de 10% das crianças americanas tomam remédios e, no Brasil, a venda dessas substâncias mais do que quintuplicou nos últimos cinco anos.

"Vivemos uma época de superpais que querem criar superfilhos, mas o resultado é uma supercriança para sempre, que, ao mesmo tempo em que é carregada de atividades escolhidas pelos pais, não tem autonomia para amadurecer e fazer escolhas", resume a psicóloga Lidia Aratangy, da PUC-SP. "Viram filhos troféus para os pais".

Na avaliação da psicóloga, esse cenário está ligado à insegurança dos pais que, confusos e perdidos na sociedade atual, buscam preparar seus filhos para o mundo sobrecarregando-os de atividades e, como compensação, satisfazendo todos os seus desejos.

"Acredito que o maior fator para a cultura desses superpais é o medo. O medo de deixar o potencial das crianças para trás, de que com isso elas podem ser prejudicadas no futuro, que serão infelizes por uma negligência", afirma o historiador escocês Carl Honoré, autor de um livro sobre o tema (mais informações nesta página).

No caso da fonoaudióloga e pedagoga Claudia Cotes, mãe de duas crianças, os excessos cometidos com a primeira filha a fizeram repensar a educação do segundo. "Com a Carolina, eu aplicava tudo o que aprendia na faculdade. Estimulava de todos os jeitos, ficava em cima, aplicava exercícios de neurociência, matriculei na escolinha bilíngue. Se ginástica era importante, ela ia fazer ginástica. Se música é importante, ia aprender música", diz.

"Mas ela ficou tão estimulada que ficou uma criança chata. Perdeu o interesse, achava que não precisava fazer mais nada. Aí percebi o erro e amadureci como mãe", diz. Ela conta que, no segundo filho, fez tudo diferente. "Com o Vitor, deixei as coisas acontecerem no seu tempo, sem tanta pressão, sem tanta ansiedade. E vejo que ele é hoje uma criança mais tranquila e mais feliz."

BULA PARA EDUCAR
Mas a educação não depende só dos pais. Nesse processo entra também a escola que, com dificuldades para lidar com estudantes que saiam um pouco de um ideal imaginado, recorre ao vocabulário médico - os mais distraídos, desobedientes ou tímidos são logo diagnosticados com algum distúrbio, em um processo chamado de medicalização ou patologização do fracasso escolar.

"Para lidar com uma criança qualquer, não existe bula nem fórmula. Mas para lidar com uma uma criança com déficit de atenção existe uma bula. Vivemos um grande engodo", afirma a psicóloga e psicanalista Adriana Carrijo, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Vivemos na sociedade do hiperestímulo, sem foco, e o processo educacional demanda atenção."

Na prática, casos de pais e escolas que se apoiam nesses diagnósticos para proteger as crianças acabam sendo comuns. "O pai leva o atestado para a escola, que fica obrigada a dar atenção especial e prova diferente para essas crianças. Tem criança que cresce acreditando que sem remédio não pode fazer uma prova", diz.

"Hoje, as crianças ficam o dia todo ocupadas, em um entorpecimento", diz a psicopedagoga Irene Maluf, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Segundo ela, essa rotina está longe de significar aprendizado. "A criança vira um produto e o que ela mais precisa, que é o tempo e a atenção dos pais, é o que ela menos tem. Quantos pais chegam em casa do trabalho e param para brincar com seus filhos?"

Texto retirado, na íntegra da edição de 20/09/2009 - Domingo do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PERGUNTA PARA OS LEITORES

QUAL A ÚNICA PALAVRA DA LÍNGUA PORTUGUESA QUE, NO PLURAL, TERMINA COM A LETRA "R" ?

AGUARDAMOS RESPOSTAS PELOS COMENTÁRIOS OU PELO E-MAIL:

kikofisica@gmail.com

abração.
Kiko

UMA CONVERSA HONESTA SOBRE A BURRICE - PARTE 2


Na primeira parte dessa discussão, uma das idéias que mais chamou a atenção dos leitores foi a de que somos todos um pouco burros, cada qual a sua maneira, mas que estamos dispostos a dmitir que somos um pouco loucos... mas burros "jamais".

Isso ocorre porque nosso cérebro funciona de maneira a ocultar essa verdade.

Por exemplo, as estatísticas informam que 50% dos motoristas não sabe dirigir. Alguns acham difícil estacionar, outros trafegam a 20km/h e há aqueles que ocupam duas faixas como se a rua fosse sua. Mas esse pessoal não sabe disso, não aceita esse fato.

São pouquíssimos os bastante inteligentes para aceitarem que não dirigem direito, muito pelo contrário. Números mostram que cerca de 80% dos internados por acidentes automobilísticos crêem pertencer à elite dos motoristas. A grande maioria credita a responsabilidade do acidente ao azar ou a algum idiota que cruzou seu caminho. E há uma explicação para esse comportamento.

Explica Cordélia Fine, pesquisadora do Centro de Filosofia Aplicada da Universidade de Melbourne (Austrália) : " o fracasso é um dos principais inimigos do nosso ego, da nossa auto-estima. Portanto, o cérebro, esse vaidoso, trabalha intensamente para criar obstáculos à idéia de que somos falhos".

Esse raciocínio pode explicar como várias escolhas são feitas de modo burro, desconsiderando avaliações mais detalhadas dos prós e contras e dados estatísticos reais. Ao se casar, por exemplo, a pessoa toma uma decisão que implica em vínculo vitalício. Mas quantos, ao adentrar a igreja ou cartório, têm a concreta consciência de que, estatiscamente, o casamento tem 50% de chances de fracassar? Na hora do "aceito", só sabem dessa realidade os pais, os amigos, parentes e até mesmo o padre e o oficial de justiça. Os noivos apresentam uma obstinação cega, totalmente certos de que será um matrimônio que contrariará todas as regras. Até por que, se assim não fosse, a continuidade da existência da espécie humana estaria ameaçada...não é mesmo?

Outro sintoma da maneira protecionista com a qual nosso cérebro trabalha em prol de nosso ego é a enorme dificuldade que temos em admitir nossos erros de avaliação. Nós nos agarramos às nossas convicções como a coletes salva-vidas num naufrágio. Durante a nossa vida, em geral, fugimos e repudiamos novos desafios a nossa ideologias. Damos preferência a amigos, livros e jornais que se afinam com nossas opiniões e valores e, nos cercando de pessoas oportunistas, reduzimos as chances de que nossas opniões sejam questionadas.

Em diversos ramos das pesquisas, a burrice se destaca de forma pontual: comumente, se os resultados de um estudo batem com nosso ponto de vista, o estudo é sério e convincente. Do contrário, se contrariam nossas expectativas, o processo é julgado cheio de defeitos, ultrapassado e etc. Isso explica por que frequentemente é inútil tentar mudar a opinião de um obstinado, mesmo que suas idéias sejam claramente erradas.

Todas as vezes que nosso cérebro faz previsões de futuro, a tendência é que produza quadros otimistas. Um exemplo disso é o fato de que é muito comum estarmos sempre certos de que nosso time vai ganhar o jogo, embora haja outra possibilidade. As previsões hiperotimistas são frequentes também nas bancas de apostas, cassinos e loterias, onde se desperdiça dinheiro por que a capacidade de julgamento fica dominada pelo desejo de vencer. E qual a razão desse estúpido otimismo do cérebro? Ele nos poupa das verdades desconfortáveis.
Deborah Danner, pesquisadora da Universidade de Kentucky (EUA), examinou os efeitos do otimismo e do pessimismo na longevidade em 180 noviças norte-americanas. Quanto mais otimistas as religiosas, mais tempo viviam. As mais joviais viveram, em média, uma década a mais que as pessimistas, que apresentavam quadros depressivos. É claro que ser realista e ao mesmo tempo sereno e otinista seria o ideal...seria a ausência de burrice...a inteligência pura.
Mas como isso, durante toda a vida é estatisticamente impossível...não há dúvida de que se é para viver mais e ser mais equilibrado...às vezes um pouco de burrice não é o fim do mundo.

Aquele abraço e até a próxima.
Professor Kiko.