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BOMBANDO INTERNACIONALMENTE!!!

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RESULTADOS DA NOSSA PESQUISA DESSA SEMANA

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quinta-feira, 17 de março de 2011

CONSELHO SUPERIOR JULGA PROVIDO RECURSO DA OAB DE IGARAPAVA

OBS: FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

Por votação unânime, Procuradores de Justiça julgaram provido o Recurso da OAB que pede o fim das filas nas Escolas para matrícular alunos. A OAB encaminhá ofício sugerindo um critério para por FIM as filas na Escolas em época de matrícula, que perdura por mais de três anos.

Conforme noticiado no site da OAB-Igarapava e na imprensa escrita e falada local, a OAB – 217ª. Subseção Igarapava, em 27 de outubro de 2010, apresentou Representação perante o Ministério Público da Comarca de Igarapava, narrando, em suma, que, por três anos consecutivos na cidade de Igarapava, para se assegurar a matrícula nas escolas as pessoas tinham que permanecer em longa fila defronte as Escolas por aproximadamente três dias.
Na representação foi inclusa matéria da TV GLOBO – EPTV RIBEIRÃO; um DVD do TV IGARAPAVA (www.tvigarapava); fotografias comprovando a presença de pais, crianças, adolescentes e pessoas idosas na fila durante a madrugada, fotos estas tiradas pessoalmente pelo Presidente da OAB que compareceu no local durante a madrugada.

A representação foi arquivada pelo Ilustre Representante do Ministério Público da Comarca de Igarapava, enquanto o problema das filas se fazia presente em nossa cidade de Igarapava.

Acontece que, dentro do prazo legal, a OAB Subseção de Igarapava interpôs Recurso para o Conselho Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Em sessão plenária do Conselho Superior do Ministério Público do dia 18/01/2011, presidida pelo Exmo. Sr. Procurador Geral de Justiça, Dr. Fernando Grella Vieira, veio os nove Procuradores de Justiça presentes, de forma unânime, julgar PROVIDO o recurso e reformar da decisão de arquivamento, inclusive determinando que se instaurasse o competente inquérito civil.

Com retorno do procedimento para o Ministério Público da Comarca de Igarapava, conforme decisão do Conselho Superior foi instaurado Inquérito Civil, tendo agendada para 17/03/2011 reunião na Promotoria de Justiça com o Exmo. Sr. Prefeito Municipal e a Secretária Municipal de Educação visando a assinatura de um TAC (Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta), o que havia inclusive sido sugerido inicialmente na Representação formulada pela OAB na época em que as filas se faziam presentes no ano passado (2010).

O Promotor de Justiça em sua decisão já havia reconhecido o problema, sugerindo sorteios, mas veio arquivar o procedimento.

O Presidente da OAB de Igarapava, Dr. José Ricardo R.Mattar afirma que "Foi uma vitória da sociedade, especialmente das famílias pobres que depende do serviço público, que por sua vez, não estava sendo prestado com excelência, mas com desorganização devido a falha no critério adotado. No ano passado, em plena época de filas defronte das Escolas já queríamos a realização do TAC com o objetivo daquelas pessoas serem dispensadas da situação vexatória. Com certeza este ano de 2011 não haverá fila nas Escolas".

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

C.Q.D. NO RÁDIO ESTRÉIA HOJE


O programa C.Q.D. NO RÁDIO estreou hoje com o tema "ENEM", trazendo aos estúdios da Rádio Cidade FM - 105,9 Mhz os seguintes convidados:

Prof. Adriano Donizete - Coordenador pedagógico do ensino médio na Escola Viva.
Prof. José Ramires Neto - Professor de história e sociologia na escola Maieutica.
Prof. Manoel Nasser - Professor de Filosofia na escola Maieutica.

Apresentação: Leandro Silva
Coordenação de entrevista e debate: Professor Kiko

RESUMO DO PROGRAMA
HISTÓRICO

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova criada em 1998 pelo Ministério da Educação.

Inicialmente utilizado como ferramenta para avaliar a qualidade geral do ensino médio no país. Posteriormente, o exame começou a ser utilizado como exame de acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras através do SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Ganhar pontos para o Programa Universidade para Todos (ProUni). Também como certificação de conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos (na data de realização) e atingir nota (400 pontos em cada área e 500 pontos na redação).

evolução em 13 anos em número de inscritos:
1998 1 57.221
2010 4.611.441

O ENEM COMO EXAME DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

Os professores convidados foram unânimes em concordar que há uma forte tendência que o ENEM se torne um exame unificado nacionalmente para o ingresso na universidades públicas. Porém, resaltaram a importância de se discutir a questão da perda de importância dos temas regionais na elaboração de uma prova nacionalmente unificada. Talvez, segundo nossos convidados, uma solução em que o ENEM seja usado apenas como parâmetro parcial na avaliação do candidato seja mais viável, resguardando assim o direito de cada instituição levar em consideração outros parâmetros, mais convenientes regionalmente, para essa avaliação.

O papel do ENEM na pontuação do candidato a bolsa do PROUNI também foi debatido. Os professores convidados concluiram que o PROUNI é uma louvável iniciativa rumo à democratização do ensino superior, porém já carece de novas análises e adaptações, tais como ampliação do número de bolsas oferecidas, ampliação da faixa salarial da família (hoje de até 3 salários mínimos para bolsa parcial e de até um e meio salário para bolsa integral), dentre outras mudanças sócioeconômicas.

RECENTES PROBLEMAS NO ENEM

Nos últimos dois anos, o ENEM passou por problemas sérios:
> 2009 (ROUBO DE PROVAS E GABARITO ERRADO DA PROVA SUBSTITUTIVA)
> 2010 (VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS DE INSCRITOS, ERROS DE IMPRESSÃO EM PROVAS DO TIPO AMARELO, RECLAMAÇÕES DE FALTA DE RIGOR NA FISCALIZAÇÃO DE IDA A BANHEIROS).
Nossos convidados entendem que a credibilidade do ENEM foi abalada, tanto no que diz respeito aos candidatos, quanto às instituições de ensino superior que nele pretendiam se pautar para sua seleção de ingressantes em seus quadros discentes. Porém, é consenso, entre os participantes desse debate, que essa situação problemática pela qual passou o ENEM não foi mero acaso ou simples incompetência do MEC e do INEP. Existe uma quase certeza entre nossos convidados da existência de uma conspiração dos cartéis formados pelos pseudo "sistemas de ensino", traduzindo: grandes "grifes de material didático e franquias de educação" que têm interesse no fracasso do ENEM e na perpetuação do "Status quo" de mesmice educacional, que há tanto tempo impera no país e que é ameaçado pelas ideologias modernas, democráticas e realistas que o MEC tenta implantar através da sistemática do ENEM. Essa farsa só poderá ser combatida se todos nós, enquanto brasileiros: educadores, educandos, família e governo agirmos com consciência e senso crítico em prol de uma educação de verdade e para toda a vida.
ENEM EM IGARAPAVA
As escolas participantes do debate, cada uma com sua metodologia, têm, já há alguns anos, preparado com qualidade seus alunos para o ENEM. Foi concenso também, entre os professores convidados, que seria muito interessante se Igarapava pudesse contar com um curso especificamente voltado à preparação para o ENEM, visando principalmente os candidatos que já terminaram o ensino médio e que ainda não ingressaram na faculdade que desejam.
FUTURO DO ENEM

Uma crítica comum dos participantes do programa, foi com relação ao "relaxamento" dos modernos critérios da prova do ENEM depois que ela passou a ter mais questões e ser realizada em dois dias. Antes disso, o ENEM trazia mudanças interessantes na forma de avaliação: questões cotidianas, que priorizavam a análise racional e crítica, usando sempre a transdisciplinaridade. Depois que mudou para o "Novo Enem", segundo nossos convidados, essas conquistas perderam em qualidade. As provas ficaram mais óbvias, maçantes, com pouca interdisciplinaridade, apresentando necessidade de decorar fórmulas, resumindo: a qualidade antes conquistada caiu.
As conclusões do debate são que: essa perda de qualidade deve ser revertida, todos os brasileiros interessados em uma educação verdadeira devem se unir para combater os cartéis noscivos ao progresso educacional, o MEC deve se organizar de modo a centralizar em suas próprias mãos a confecção e realização das provas do ENEM e que o PROUNI deve passar por uma reavaliação de diretrizes sócio-econômicas. E, mais importante ainda, que, apesar dos últimos incidentes negativos, devemos nos unir pela continuidade e otimização do ENEM, pois é uma ferramenta de mudança e avanço na educação brasileira, como há muito tempo não se via.
Um abraço aos internautas, aos ouvintes do rádio e aos leitores do jornal.
Nossos agradecimentos à Rádio Cidade FM, ao Leandro Silva, às escolas participantes e aos professores convidados.
Até a próxima.
Fui!

TURMA DA EDUCAÇÃO: CHEGOU O C.Q.D.!



Educação. Um assunto de múltiplas facetas merece um tratamento multimidiado

Salve Igarapava e região. É com muito prazer que anunciamos um novo projeto de educação para Igarapava e região. É o C.Q.D. Não entendeu? Já vou explicar.
A sigla c.q.d. vem das demonstrações matemáticas. Quando alguém realiza uma demonstração matemática, tradicionalmente finaliza o trabalho com essa sigla que significa “como queríamos demonstrar”. Como minha origem como professor é na área de exatas, tive a idéia de criar essa seção, onde a sigla c.q.d. poderá significar diversos ângulos de abordagem em assuntos voltados a educação. Como queremos demonstrar, divulgar, debater, denunciar, destacar, determinar, detalhar, diagnosticar, ufa...e mais o que for preciso para que os mais importantes temas educacionais sejam analisados de forma a satisfazer nosso público.
Por falar em temas educacionais, não esperem apenas assuntos limitados ao ambiente escolar. O conceito de educação moderna abarca preocupações que há muito extravasam os muros das instituições de ensino abrangendo as mais diversas áreas da nossa vida cotidiana: meio-ambiente, lazer, saúde, segurança, comunicação, política e etc.
Outro caráter de modernidade do “c.q.d.” é faceta multimídia. Além das publicações quinzenais no Jornal de Igarapava, teremos um programa semanal, na Rádio Cidade FM – 105,9 Mhz. Muito gentilmente, o radialista Leandro Silva nos acolherá, dentro de seu programa, das 11:30h às 12:30h, às quartas-feiras, quando estaremos falando desses mesmos temas e recebendo, como convidados, alunos, professores, coordenadores, diretores, chefias educacionais e membros de instituições municipais e regionais que tenham algo a contribuir com esse tipo de discussão. No dia 23 próximo, por exemplo, o assunto abordado será o ENEM. Estaremos recebendo representantes da Escola Viva, da Escola Maiêutica e, caso consigamos a confirmação, de escolas públicas de ensino médio de nossa cidade. Nos dois programas seguintes falaremos sobre bulling, primeiro recebendo alunos como convidados e depois ouvindo o que pensam coordenadores de educação sobre esse controverso tema. Durante os programas atenderemos à comunidade pelo telefone da Rádio Cidade FM, tirando dúvidas, ouvindo críticas, sugestões e etc.
Acha que parou por aí? Ainda iremos estender essa discussão à internet, através deste blog: professorkiko.blogspot.com (hoje com mais de 8.000 visitas de todo o Brasil) onde publicaremos, na seção “c.q.d.”: postagens, links, animações, vídeos e muito mais, oferecendo material de sustentação a todas as discussões feitas no rádio e publicadas no jornal. Aliás, através do e-mail kikofisica@gmail.com todos os leitores podem, a partir de hoje, tirar dúvidas sobre temas educacionais, sugerir assuntos para discussão no programa e/ou abordagem no Jornal de Igarapava e blog, fazer críticas ao c.q.d do rádio, imprensa ou internet e etc.
Mantendo a sinergia entre as diferentes mídias com as quais estaremos constante e simultaneamente trabalhando, o nosso assunto da próxima edição do Jornal de Igarapava será:
ENEM: Entre problemas passados e expectativas futuras, como a comunidade educacional de Igarapava vê essa importante ferramenta de modificação da educação brasileira?
Nossos agradecimentos ao Jornal de Igarapava pela parceria e ao programa Cidade em Notícias do radialista Leandro Silva pelo espaço compartilhado. Gostaríamos de divulgar aqui também um novo quadro desse programa de rádio, onde Leandro Silva, entrevista os mais diferentes profissionais de diversas áreas de atuação em Igarapava e região: Diretores de departamentos municipais, Advogados, Médicos, Veterinários, e outros. O Cidade em Notícias vai ao ar das 11:00h às 13:00h e as entrevistas acontecem às segundas e sextas-feiras, sendo que estão agendados para a semana:
21-02(segunda) – Dr. Ricardo Aparecido Mendonça (Médico Veterinário) – Assunto: Infestação por carrapatos em animais domésticos.
25-02(sexta) – Dr. Aloísio Antonio Maciel Filho (Médico Cardiologista) – Assunto: As doenças malignas e a fé.
Ficamos por aqui contando com a sua participação, caro leitor e leitora, se possível nas três mídias em que atuaremos. Sua audiência é importante, tanto quanto seu olhar crítico e atento, para que possamos sempre fazer mais e melhor.
Deixo aqui uma das pitorescas frases que ouvi de um dos grandes professores que tive, meu pai, Faber de Oliveira Campos: “Se o velho pudesse...e se o jovem soubesse...nada haveria no mundo que não se fizesse”.
c.q.d.
Fui.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A MENSAGEM DA ÁGUA










Salve galera seguidora desse humilde blog...estamos de volta para mais um ano junto a vocês...com algum atrazo é verdade...mas estamos aí...
Hoje trazemos uma artigo sobre um experimento muito interessante realizado pelo Sr, Massaru Emoto com a água.
Durante oito anos ele e sua equipe cristalizaram e fotografaram moléculas de água de diversas partes do mundo. As amostras foram colhidas em rios, lagos, chuva e neve e submetidas a vibrações de pensamentos, sentimentos, palavras, idéias e músicas sendo possível constatar que ocorrem diferentes formações moleculares na água quando esta é submetida a diferentes estímulos, sejam estes positivos ou negativos.
O Sr. Emoto congelou as moléculas e fotografou num microscópio de campo escuro.
Nas fotos que iniciam a postagem, a saber na ordem:
1- ÁGUA DESTILADA SEM ESTÍMULO
2- ÁGUAN SOB ESTÍMULO DAS MÚSICAS DE BETHOVEN E BACH
3- ÁGUA SOM ESTÍMULO DE MÚSICA HEAVY METAL
4- ÁGUA DA REPRESA FUJIWARA ANTES DE SER OFERECIDA UMA ORAÇÃO
5- ÁGUA DA REPRESA FUJIWARA DEPOIS DE SER OFERECIDA UMA ORAÇÃO
6- ÁGUA SOB ESTÍMULO DA PALAVRA HITLER
7- ÁGUA SOB ESTÍMULO DAS PALAVRAS: VOCÊ ME FAZ MAL, VOU MATAR VOCÊ
8- ÁGUA SOB ESTÍMULO DA PALAVRA: OBRIGADO
9- ÁGUA SOB ESTÍMULO DAS PALAVRAS: AMOR E ADMIRAÇÃO
Veja só como a água reage a diferentes estímulos. Sabendo que nosso corpo tem entre 70% e 75% de água, imagine como esses estímulos influenciam o funcionamento de nosso físico e mente no dia-a-dia.
Você que não possui um microscópio de campo escuro em casa pode fazer uma experiência bem interessante e chegar à conclusão de que há muita coisa verdadeira nessas observações do sr. Emoto.
Cozinhe ½ xícara de chá de arroz, somente na água, sem tempero.
Depois de frio, separe o arroz cozido em duas porções iguais, e coloque cada porção em dois vidros iguais, vazios e bem limpinhos. Feche bem a tampa de cada vidro e vede-a com fita crepe ou adesiva.
Cole uma etiqueta em cada vidro, escrevendo em um, a palavra amor, e no outro, a palavra ódio.
Coloque a data em ambos os vidros.
Deixe um vidro longe do outro e todos os dias, diga a palavra positiva e a palavra negativa, perto de cada um deles.
Observe as mudanças que vão começar a aparecer entre os dois vidros de arroz. Para um bom resultado final, é bom esperar uns 12 a 15 dias.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CUIDADO COM A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO!! (Parte II)

Até que enfim, né galera...aposto que muita gente achava que a parte dois dessa discussão não vinha mais. Bom, mas eis que retornamos ao tema em questão. Na primeira parte, apresentamos os motivos pelos quais as chamadas "grifes" de educação têm tanto interesse em "abocanhar" a rede pública de ensino municipal. Nessa continuação iremos, como se diz no popular, "mudar de lado no balcão" para analizar os motivos que, geralmente, levam as redes municipais de ensino a adotar a co-gestão de empresas privadas na educação.
Há, por parte dos gestores municipais, a recorrência a duas justificativas "pedagógicas" para a realização de parcerias com o objetivo de compra de sistemas de ensino: a padronização da qualidade do ensino, por meio da homogeneização dos projetos pedagógicos, e a construção de uma identidade para a educação municipal por meio dessa homogeneização. O modelo é um arremedo do proposto pelo e para o setor privado. A causa: a municipalização acelerada e sem pré-requisitos do ensino fundamental. Mas quais os reais motivos para que,muitas vezes, essas parcerias acabem sendo levadas a cabo? Vejamos:
1) QUANDO A DECISÃO NÃO É DO GESTOR: Essas parcerias acabam sendo opção do Executivo e, na maioria das vezes, exclusivas do próprio prefeito. Poucos sãos os Conselhos Municipais de Educação que se posicionam sobre essa decisão, enquanto os Conselhos do FUNDEF e FUNDEB, quando muito, acompanham a prestação de contas e não opinam sobre a decisão já tomada pelo Executivo.

2) QUANDO A DECISÃO É DO GESTOR DESPREPARADO: Não existe a profissão: "Secretário(a) Municipal de Educação" ou "Diretor(a) do Departamento Municipal de Educação". Existem, sim, os respectivos "cargos". Apesar de existirem cursos de pós-graduação que visam preparar para a administração de cargos públicos na educação (gestão pública em educação), o que se vê, muitas vezes, é que esses cargos são ocupados por pessoas ligadas à educação do município (professores, diretores, profissionais da educação aposentados, etc.) mas que não possuem, pelo menos ao assumirem seus cargos, capacitação teórica ou prática para exercer cargo de gestão ou lidar com as implicações funcionais exigidas por esse cargo, deficiências essas que, não raro, quando o tempo de permanência no cargo permite, acabam por minimizar ao longo do exercício desse trabalho. Comumente, o indivíduo que terá a tarefa de decidir sobre a educação municipal é escolhido não pela sua capacidade em desempenhar tal missão, mas sim por afinidade ou comprometimento político com o atual prefeito. Na certeza de que será impossível construir uma carreira nesse cargo (na melhor das hipóteses 8 anos em caso de reeleição do prefeito) e cientes de seu despreparo, muitos dos mandatários municipais da educação optam pelo caminho mais fácil: convencer o poder municipal (na maioria das vezes, leigo em tais assuntos) de que a melhor escolha é contratar um "sistema de ensino" privado e adotar uma co-gestão o que, com o perdão do trocadilho, segundo muitos especialistas contemporâneos, acabará levando a uma congestão educacional.

3) QUANDO A DECISÃO É ELEITOREIRA: alguns dirigentes apontam outros benefícios importantes como resultado da parceria. Estes se configurariam principalmente em ganhos eleitorais, uma vez que a população tenderia a identificar como indicador de qualidade educativa a vinculação da educação municipal a logotipos e marcas de escolas privadas. Na concepção de vários gestores, os políticos municipais têm no sucesso da educação escolar um dos caminhos para "pavimentar suas carreiras políticas", razão pela qual a qualidade da educação privada ter-se tornado atrativa, sobretudo após a ampliação de responsabilidades para a esfera administrativa municipal.

Conclusão: os municípios estão, aceleradamente, agregando condições para que o "privado se expanda para dentro do público", quer seja pela dificuldade ou impossibilidade deste último em constituir quadros e serviços que atendam às necessidades de suporte à oferta educacional, quer pelas frágeis iniciativas de colaboração entre os entes federados, quer seja, ainda, pela habilidade persuasiva do setor privado em se apresentar como alternativa tentadora aos interesses das políticas locais. A ênfase em um ou outro fator não minimiza o indesejável resultado da equação.

Bem, discutidos os motivos dos grandes impérios ou grifes educacionais para investirem nas redes municipais de ensino, bem como as principais razões para que esses municípios cedam a essas investidas, estaremos comentando isso tudo e expondo nossas conclusões finais (o mais respaudadas em dados e referências especializadas o possível) na terceira e última parte desse tema: CUIDADO COM A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO!! (Conclusões!!!)

Até lá e um grande abraço.

Prof. Kiko.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CUIDADO COM A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO!! (Parte I)


Nessas andanças por esse nosso Brasil Varonil...com aulas, projetos educacionais e etc...me deparo, cada vez com mais frequência, com a adoção, por parte de secretarias municipais de educação, de pacotes educacionais oferecidos pelos denominados SISTEMAS DE ENSINO (popularmente conhecidos, no próprio meio, como "grifes educacionais"). A mola-mestra desse modelo de trabalho é a compra e aplicação de material didático apostilado, acompanhada de alguma assistência em capacitação e/ou treinamento de docentes, certo acervo de softweres educacionais e apoio via internet, fazendo da instituição contratante uma parceira ou franqueda dos, autodenominados, sistemas de ensino (COC, Objetivo, Anglo, Positivo, Uno, Etapa, Pitágoras e etc.).

Minha opinião sobre essa situação será dada a seguir, pautada, muitas vezes ipsis litteris, no trabalho de três pesquisadoras da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS): Elsia Esnarriaga de Arruda, Carolina Nunes Kinjo e Mariana Monfort Barboza, trabalho este denominado: O PROCESSO DE MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, EM UMA CAPITAL BRASILEIRA DE PORTE MÉDIO - que pode ser baixado nesse blog na coluna da direita, clicando na figura idêntica à que ilustra essa postagem.

Ora, não sejamos ingênuos em contestar o fato de que, há muito tempo, a educação é uma mercadoria, visto que a Organização Mundial do Comércio a define como serviço comercial, sujeito às regras de comércio. No sistema capitalista vigente, a tendência é que as necessidades humanas sejam satisfeitas no mercado e a educação é uma dessas necessidades. O cuidado a se tomar aqui é que essa voracidade mercadológica fique circunscrita ao seu nicho específico, ou seja, às cúpulas financeiras dos sistemas educacionais acima citados, não contaminando o tecido educacional formado por docentes, coordenadores, diretores, alunos e familia.

Mas antes de qualquer opinião, vamos dar uma olhada em algumas informações interessantes:

Do lado dos "sistemas de ensino" justifica-se essa corrida pelo aluno da rede pública pelo crescente desse mercado, sendo que de 1991 a 2006 o número de matrículas subiu em mais de 12 milhões contra pouco mais de 1 milhão do setor privado no mesmo período. De olho nesses números, só no estado de São Paulo, até 2007, o setor privado já tinha conseguido cravar suas garras em 25% dos municípios.
Um outro e, por que não dizer, mais "subterrâneo" motivo a impulsionar essa busca é a, cada vez mais frequente e incisiva, posição do MEC em repensar o sistema educacional vigente no Brasil, avaliando faculdades, propondo um ENEM mais eficiente e representativo, ressaltando a real importância dos PCNs (o que destaca a interdisciplinaridade e o pensamento crítico), postura essa que leva a imaginar que, em tempo relativamente curto (principalmente quando se fala em corporações de ensino e em milhões investidos), o vestibular mude ou acabe (nos atuais moldes) e todo formato do ensino no Brasil venha a ser alterado, o que provavelmente invibializaria o atual "apostilismo", marca registrada da pasteurização que esses "sistemas de ensino" impõem à real educação, levando essas empresas a uma urgência de exploração do mercado.
Com relação à real qualidade do modelo educacional apresentado pelos "sistemas", para resumir a discussão a um único mas importante parâmetro, usaremos a apostila como referência de análise, visto que é o carro chefe desse modelo de gestão educacional.
Denomina-se de apostila o material comercializado pelos "sistemas de ensino" com inúmeros formatos, em oposição ao livro que tem um padrão fixo. A apostila surge na década de 1950, para ser tradicionalmente utilizada em cursos preparatórios para concursos, exames de admissão ao ginásio, supletivos e passa a ser um método de ensino para o vestibular (TREDICI, 2007, p.1). Até aí tudo tranquilo. Esse tipo de material estava adequado ao seu objetivo. Porém foi no final da década de 1990 que se observou a adesão maciça das escolas privadas ao sistema de apostilas, preocupadas em atender pais e alunos ansiosos com a concorrência do vestibular (e as escolas públicas acabaram seguindo a mesma linha) (LIMA, 2006, p. 1).
As reportagens na mídia, que defendem o livro didático, levantam dúvidas sobre a qualidade do ensino por meio de apostilas, por possuírem duvidoso controle de qualidade (VERBA..., 2006; NIGRO, 2007). Chegam até mesmo a afirmar que a escola cujo ensino é totalmente apostilado comete uma fraude pedagógica, servindo como fonte de lucro para os grupos (LIMA, 2006).
A crítica não deve ser dirigida ao uso eventual de apostilas artesanalmente elaboradas pelo professor ou por sua escola, mas sim, à pressão da ideologia do mercado que faz da apostila um método único de saber e de poder; de ensinar tudo a todos como se estivessemos no século XVII, mas envoltos numa aura de ensino “moderno” ou “pós-moderno”[...]No fundo, trata-se de uma visão da escola como se ela fosse uma empresa, que deve ser eficiente e obter resultados (LIMA, 2006, p. 2).
Segundo Nigro (2007), as apostilas não possuem avaliação e muito menos a aprovação do MEC, restrigem a liberdade do professor que tem prazo determinado para o cumprimento do contéudo, passando a ser um mero aplicador de apostilas, custam em geral mais caro que os livros, são consumiveis, necessitando ser compradas todos os anos e possuem erros grosseiros.
Segundo Tófoli (2006, p. 1) apesar de não ser ilegal, as parcerias são contestadas por especialistas, já que o dinheiro público é repassado ao setor privado e nem sempre os convênios firmados garantem uma melhora na qualidade de ensino.
Portanto, uma objeção fundamental contra a adoção de ensino apostilado em toda uma rede escolar é que uma única filosofia e um único padrão de material didático reduzem o debate pedagógico drasticamente: o trabalho de pensar a educação restringe-se à empresa fornecedora de material; os professores tornam-se simples reprodutores de coisas elaboradas previamente por profissionais fora da realidade concreta de suas escolas. Qualidade de ensino não é um “produto” que possa ser vendido separadamente de bons professores e boas condições de trabalho para o docente (SIQUEIRA, 2007, p. 9).
A discussão acadêmica acerca da utilização de apostilas, ainda que incipiente, informa que a apostila fragmenta o conhecimento, por sua rígida estruturação, impõem modelo de conduta homogêneo aos professores, que deixam de pensar por si próprios, tratam o ensino como “grife” (TREDICI, 2007; AQUINO, 2007).
Um dado estatístico importante, que corrobora com a incerteza sobre a qualidade do mercadejamento do ensino (principalmente o público), é que, dentre as instituições pesquisadas no trabalho citado no início deste artigo, 25% já havia mudado o "sistema" fornecedor.
Para a parte II dessa discussão ficam os motivos para que as secretarias municipais dee educação adotem os "sistemas de ensino" como co-gestores educacionais e nossas conclusões e opiniões finais.
Aquele abraço.
Prof. Kiko
Bibliografia: Todos os autores citados aqui fazem parte da bobliografia do trabalho O PROCESSO DE MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, EM UMA CAPITAL BRASILEIRA DE PORTE MÉDIO - Elsia Esnarriaga de Arruda, Carolina Nunes Kinjo e Mariana Monfort Barboza (todas UFMS) - que pode ser baixado, na íntegra, nesse blog clicando na fugura "APOSTILAS" da coluna à direita.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

EEEE...NEEMMMM....e agora MEC?

Depois de alguns dias do vazamento das provas do ENEM desse ano, muitos dos leitores desse blog nos cobravam, através de e-mails, a falta de postagens sobre o tema.
É que uma confusão dessas pede alguns dias para que os pontos mais importantes sejam esclarecidos, tais como: quem são os culpados...como se deu o vazamento...que providências serão tomadas...etc.
Agora já nos sentimos mais à vontade para comentar o assunto.
É desapontador que, no seu teste de batismo como grande elo comum aos diferentes sistemas de seleção em Universidades Federais e particulares, em todo o Brasil, o ENEM tenha que passar por uma provação bem maior que a que impões aos concursandos.
O mais importante, na minha opinião, é que, ao que parece, as diferentes instituições de ensino superior não perderam a confiança no MEC e estão, cada qual à sua maneira, se solidarizando com o ministério e procurando soluções para que o exame possa ser aplicado sem mais turbulências, em datas que minimamente venham a prejudicar os alunos e os processos seletivos específicos de cada instituição.
Já há um entendimento entre 55 representantes de universidades federais, de 31 instituições federais de ensino e de todas as secretarias estaduais de educação no sentido de, caso seja necessário, adiar o início das aulas de 2010 para março, medida essa que viabilizaria a utilização dos resultados do exame do ENEM, já em nova data. Há também o estudo de adiamento de algumas datas de vestibulares para que não coincidam com a nova data do ENEM, que deverá ser no último final de semana de novembro (28 e 29) ou no primeiro de dezembro(5 e 6).
A nova prova já está montada e uma prova reserva também. O que deverá tomar mais tempo é a nova logística de impressão, armazenamento e distribuição, bem como a análise dos pontos falhos de segurança.
Resta aos estudantes esperar para essa quarta-feira o anúncio da nova data e se preparar (quem ainda não o fêz) ou melhorar a preparação (quem já estava preparado) e, por que não dizer, se conformar com o fato de que o vazamento foi descoberto antes da aplicação do exame...já pensou se isso viesse à tona depois...como a confusão seria mais séria?
Um abraço.
Prof. Kiko