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domingo, 8 de fevereiro de 2009

UMA NOVA ERA...




segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Experimento da semana: A lata "teimosa"


Dizem que está tudo bem (mas tá esquisito!)

No Brasil como um todo, os pais estão satisfeitos com a escola dos filhos. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) pesquisou 10.000 pais em todo o país e eles conferiram nota 8,1 às instalações da escola de seus filhos. Oitenta e um por cento (81%) revelam, sobre os diretores da escola, um parecer positivo. Oitenta e três por cento (83%) têm a opinião que os professores se preocupam em ensinar e dar boas aulas. Finalizando: a nota da qualidade de ensino, dada pelos pais, é 8,6 (!).
Lindo, não é verdade?
Infelizmente, não. Está longe de ser lindo e mais distante ainda de ser verdade. Basta analisarmos outro conjunto de estatísticas para que detectemos várias contradições entre o cenário percebido pelos pais e a dura realidade da educação brasileira, principalmente no que diz respeito às escolas públicas.
De acordo com o Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) mais recente, 72% da população brasileira não se encontra plenamente alfabetizada. Já pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), revela-se que, desde a primeira edição do exame em 1995, a qualidade do ensino vem caindo. Esse mesmo exame constata que, na 8a série, somente 25% dos alunos sabem que “3/4” é o mesmo que 0,75, e não 3,4. Isso na oitava série ! O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) destaca que o Brasil fica em 53o lugar em matemática e 52o em ciências, em 57 países testados. De acordo com a Unesco, na 1a série, cerca de 24% de nossos são reprovados, contra 2,5% no Chile e 4% na Índia.
Com esse cenário, um povo que gasta anualmente cerca de 4% de seu PIB (arrecadação bruta do país) em educação pública deveria estar deveras descontente com essa educação e os profissionais envolvidos nessa área. Estes funcionários, por sua vez, teriam que estar incomodados com a desaprovação dos pais e procurando melhorar seu desempenho (não obstante a existência de uma minoria que se destaca pela excelência em sua profissão). Mas no Brasil ocorre quase que o oposto disso.
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em pesquisa realizada e divulgada no livro O perfil dos professores brasileiros, solicitou que os professores escolhessem, numa lista pré-definida, os fatores que mais influenciam o aprendizado. “Acompanhamento familiar” disparou com 78% dos votos contra somente 32% para “Competência do professor”. No livro Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever, que divulga outra abrangente pesquisa da Unesco e do Inep, há a seguinte declaração dos autores: “Chama a atenção a freqüência com que os professores e diretores se referem à questão da família dos alunos: muito do que acontece de bom e de ruim na escola é explicado pela origem familiar...Raramente é colocada a função primordial da escola na tarefa de ensinar qualquer aluno, de qualquer origem familiar ou social.”
Em vários seminários, palestras e oficinas de educação uma das primeiras questões levantadas pelos professores é: como ensinar com uma família “que não apóia”?
O quadro mais esperado deveria mostrar pais enraivecidos com uma escola que, como se não bastasse não cumprir sua função no ensino, ainda repassa a responsabilidade do fracasso para o aluno e sua família.
Vamos desvendar esse paradoxo, no qual pais consideram tão satisfatória uma escola com resultados tão ruins e por que a comunidade docente vislumbra esses pais tão omissos. Para isso é necessário analisar um fator importantíssimo: que pais são esses.
Retomemos a pesquisa do Inep citada no primeiro parágrafo deste artigo. Dos 10.000 pais entrevistados, 58% não completaram o nível fundamental de ensino. Somente 3% possui diploma de nível superior. Os que raramente lêem livros ou jornais somam 75%. E finalmente, somente 7% acessa a internet. Isso define o perfil desses pais: limitadíssima formação acadêmica e mínimo grau de informação. A qualidade de ensino é para eles um tema extremamente abstrato e intangível, o que lhes dificulta julgá-la. Quando questionados, usam como referência aquilo que seu senso despreparado consegue visualizar - comparam a escola pela qual passaram com a de seus filhos: instalações físicas mais limpas e belas, merenda de qualidade, existe transporte escolar, seus filhos são equipados com uniformes e livros e, o que não ocorria a 3 décadas atrás, há garantia de matrícula. Cinqüenta e sete por cento dos pais afirma que a escola que seus filhos cursam é melhor que a cursada por eles. As oportunidades escolares das quais o filho usufrui (nada mais que obrigações governamentais constitucionais) e que ele não teve, bastam para que o pai se contente. A família, na média dos números, desconhece o processo escolar e carece de fontes de informações mais profundas para perceber que, muitas vezes, a educação que o filho recebe é de qualidade questionável.
Com toda essa inaptidão, não é de se estranhar que a família, não por desamor ou desinteresse, não se envolva na vida estudantil dos filhos. A família média brasileira não possui instrumentos intelectuais para identificar deficiências na educação dos filhos estando muitíssimo menos preparada ainda para apoiar a continuidade do processo de aprendizado no lar e ajudar a escola a sanar deficiências na educação.
Os professores, por sua vez, devem ter em mente essa realidade: os pais de seus alunos (salvo raras exceções) darão, durante um bom tempo ainda, contribuições limitadas ao ensino dos filhos. Ponto! Na grande maioria dos casos, a incapacidade de interferir mais contundentemente nessas questões é fruto de despreparo e não de negligência educativa. Para que esse quadro mude ao longo dos anos, o papel dos professores é ainda mais imprescindível, para que a escola se torne o caminho para que os alunos escapem desse ciclo de ignorância e miséria e se tornem, num amanhã não tão longínquo, os pais que, hoje, os professores tanto gostariam de ter como parceiros da educação. Nós professores e todos os outros profissionais ligados a educação, devemos nos despir das vestes de Pilatos e, deixando de transferir responsabilidades, nos preocuparmos em dar mais de nós mesmos a cada dia de trabalho e aula ministrada. É hora de abandonar o tripé, já desgastado, no qual apoiamos, muitas vezes, a nossa inércia e conveniência: Salários ruins, formação profissional deficiente e falta de apoio da família do aluno. São três problemas reais e que devem ser discutidos e solucionados a nível de classe e sociedade, mas que não devem interferir no nosso afinco em nos tornarmos melhores a cada dia, contando com os instrumentos dos quais dispomos no momento e lutando para que esses instrumentos evoluam no futuro.


Obs: Para confirmar os dados citados no texto acima é só conferir nos links:
www.unesco.com.br
www.inep.gov.br
www.ipm.org.br
www.inep.gov.br/basica/saeb

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Experimento da semana: "Entortando" a água.




Desorganizados e mal acostumados? ASSIM NÃO DÁ !!!

Que os alunos, de maneira geral, têm dificuldade em organizar sua vida estudantil, principalmente no que diz respeito ao tempo extra-classe, isso todo bom professor deve saber. E na medida do possível, os professores devem ajudar esses alunos a encontrar a melhor maneira de ajustar seus horários de estudo às suas agendas de atividades, tais como natação, curso de inglês, etc.
Como fazer isso? Fácil: é só manter em mente uma premissa que diz que “aula dada é aula estudada” e mostrar que o dia tem 24 horas: oito para dormir, duas pra café da manhã, almoçar, lanchar e jantar, cinco na escola, cinco pra estudar a matéria dada e ainda sobram quatro pra fazer o que mais quiser. Que fique claro que essa não é uma sugestão para modelo de horário, mas apenas uma demonstração de que é bem possível levar o estudo em dia. Basta ter organização e disciplina.
Por que é importante essa história de aula dada é aula estudada? Por que o sistema de ensino mais básico possível é constituído de algumas etapas:
1) Exposição e explicação do assunto, com a maior participação possível dos alunos (em sala de aula).
2) Pré-fixação do conteúdo apresentado com exercícios (em sala de aula).
3) Fixação final do conteúdo e aprofundamento dos assuntos, com exercícios mais complexos, pesquisas e etc. (em casa).
Para que a terceira etapa seja bem executada, é importante que ela seja implementada enquanto as etapas 1 e 2 ainda estão “frescas” na memória, ou seja, o quanto antes possível, de preferência, no mesmo dia em que o assunto foi ministrado pelo professor. Daí vem a recomendação: aula dada...aula estudada.
Bem, então é fácil perceber por que a falta de organização pode por a perder todo o resultado de um ensino que, muitas vezes, é desenvolvido de forma satisfatória no âmbito da sala de aula, mas que na etapa doméstica acaba se diluindo na ausência de disciplina do aluno.
Vocês devem estar se perguntando do por que da parte “mal acostumados” do título desse artigo, não é?
Pois vou lhes contar uma história acontecida comigo, ainda em Uberlândia, quando era professor e coordenador do COC de lá.
Uma excelente aluna, que queria prestar Medicina, me procurou para ajudá-la a organizar sua agenda de modo que ela pudesse manter a regra da aula dada, aula estudada, sem comprometer outras atividades como o curso de inglês, a aula de redação e etc. Prontamente, me dispus a otimizar seu horário e, para isso, levei toda uma manhã.
Por coincidência, na manhã seguinte, sua mãe passou pela escola, lá pelas 10 horas e me pediu para chamá-la na sala de aula. Eu disse à mãe que tínhamos o hábito de só interromper uma aula e retirar um aluno de sala em caso de urgência. Ela me disse que estava fazendo compras lá pelo centro e, como moravam longe, que queria saber se a filha não queria sair mais cedo e “aproveitar a carona pra casa ”...Oras...mas tem cabimento uma coisa dessas? A filha se matando pra ver se entra numa boa faculdade de Medicina, fazendo das tripas coração (as minhas e as dela) pra ajeitar seu horário de atividades e a mãe querendo tirar a menina da escola por um motivo desses...tenha dó, não é mesmo?
Pois isso acontece muito. É mais comum do que se possa imaginar, que pais não se envolvam no esforço escolar dos filhos e, pior ainda, que eles colaborem com a tendência, já natural do aluno, de se deixar levar pela inércia e pela falta de disciplina.
Que fique claro aqui que o processo de educar, ou de preparar um aluno para um vestibular por exemplo, é uma tarefa árdua e conjunta, que deve unir aluno, escola e família. Que a família deve estar atenta para os momentos de desânimo e de certa negligência do aluno, para que possa ajudá-lo a passar por essas situações. Que ela seja um fator positivo na tentativa do estudante de se organizar e obter uma metodologia própria de preparação para tentar ingressar na faculdade de seus sonhos.
A família sem a escola é cega e a escola sem a família é manca.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Experimento da semana: Correntes de Convecção


O MESTRE NOTA 10 - Um novo paradígma?

Em todo Brasil, proliferam concursos e eleições para intitular o(s) professor(es) nota 10, seja dentro de uma escola, num município, região, estado ou mesmo a nível nacional como faz a revista especializada em educação Nova Escola.
Num papo mais informal, independentemente de concursos, que possuem parâmetros objetivos e pré-definidos, o que nos faria intitular um professor como Mestre Nota 10?
Bem, quando fui escolhido e participei do quadro “Professor Nota 10”, do programa Tempo Cultural, na Rede TV de Goiânia, o critério era que o professor fosse diferenciado na atuação em sala de aula. No meu caso, acharam interessante o fato de eu usar animações em computador e experimentos com reciclados nas minhas aulas.
Já a maior parte da população brasileira acaba concordando que, desempenhando bem seu trabalho, apesar dos baixos salários, condições de trabalho, formação profissional acadêmica insuficiente e etc., a maioria dos professores brasileiros merece nota 10.
Segundo José Carlos Libâneo, doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC-SP, hoje professor titular da UFG-Goiânia, no seu livro “Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente” há dez características ou ações que fazem, hoje, um mestre nota 10:
1- Assumir o ensino como mediação: aprendizagem ativa do aluno com a ajuda pedagógica do professor.
2- Modificar a idéia de uma escola e de uma prática pluridisciplinares para uma escola e uma prática interdisplinares.
3- Conhecer estratégias do ensinar a pensar, ensinar a aprender a aprender.
4- Persistir no empenho de auxiliar os alunos a buscarem uma perspectiva crítica dos conteúdos, a se habilitarem a prender as realidades enfocadas nos conteúdos escolares de forma crítico-reflexiva.
5- Assumir o trabalho de sala de aula como um processo comunicacional e desenvolver capacidades comunicativas.
6- Reconhecer o impacto das novas tecnologias da comunicação e informação na sala de aula (televisão, vídeo, games, computador, internet, CD-ROM, data-show, etc.).
7- Atender à diversidade cultural e respeitar as diferenças no contexto da escola e da sala de aula.
8- Investir na atualização científica, técnica e cultural, como ingredientes do processo de formação continuada.
9- Integrar no exercício da docência a dimensão afetiva.
10- Desenvolver comportamento ético e saber orientar os alunos em valores e atitudes em relação à vida, ao ambiente, às relações humanas, a si próprios.
Gostei, mas eu faço questão ainda, mais romanticamente, de citar a colocação do, cada vez mais atual, Paulo Freire, em seu livro “Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à Prática Educativa , que, aliada aos 10 itens acima, resume essa questão: “É assim que venho tentando ser professor, assumindo as minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço por superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos” (p 79). Eis aí um Mestre Nota 10.